Escolhas alimentares em um contexto interétnico no Sul do Brasil

 

 

Rita Rauber-UFRGS

 

O artigo analisa práticas corporais a partir de escolhas de alimentação dentro do “espaço do comestível”. Arbitrariedades culturais em um campo de intersubjetividades articuladas pelo simbólico, participantes das diferenciações culturais dos grupos. A pesquisa foi realizada entre agricultores no interior do Rio Grande do Sul e buscou tentar entender a dinâmica das escolhas alimentares e formas de interação com o meio. Aborda-se o que esta por traz do abandono ou não utilização, pelos agricultores, de algumas plantas alimentícias em um campo de intersubjetividades contrastantes. Muitas destas plantas são vistas como “plantas daninhas”, indesejáveis na propriedade. Os agricultores, que se identificam enquanto descendentes de colonizadores alemães e italianos, contrastaram sua identidade étnica com a identidade étnica indígena. A alimentação “vinda do mato”, não domesticada, não cultivada é associada ao “selvagem”, ao indígena, o “não civilizado”. A alimentação foi trazida enquanto elemento diacrítico cultural, e a mudança dos hábitos alimentares é vista como algo que acarreta a passagem para o “outro lado” da fronteira cultural e a conseqüente mudança de identidade. (subjetividad)